quarta-feira, 30 de maio de 2012

Meridiano - Getúlio Vargas

Durante o período que marca o fim da Velha República e a formação de um novo governo, um líder discursa aos cidadãos trabalhadores do !

Getúlio Vargas 1951, Dia do Trabalhador, estádio São Januário, Rio de Janeiro



Discurso escrito aqui ↓ por causa do áudio ruim

Trabalhadores do !
Depois de quase 6 anos de afastamento, durante os quais nunca me saíram do pensamento a imagem e a lembrança do grande e longo convívio que mantive convosco, e outra vez aqui ao vosso lado, para falar com a familiaridade amiga de outros tempos.
E para dizer que voltei a fim de defender os interesses mais legítimos do povo e promover as medidas indispensáveis ao bem estar dos trabalhadores!
Esta festa de 1º de Maio tem/vem para mim e para vos, uma expressão simbólica, é o primeiro dia de encontro entre os trabalhadores e um novo governo!
E eu com profunda emoção retorno ao vosso convívio, neste ambiente de regozijo[1] e de festa nacional, em que nos revemos, uns aos outros, a céu aberto, em que o governo fala ao povo, de amigo para amigo, na linguagem simples, leal e franca com que sempre vos falei!

Trabalhadores do !
Não me elegi sob a bandeira injuntiva[2] de um partido, e sim por um movimento importante e irresistível das massas populares, não me foram buscar na reclusão, para que viesse fazer mera substituição de pessoas, ou simples mudança de quadros administrativos.
A minha eleição teve significado muito maior e muito mais profundo, por que o povo me acompanha na esperança que o meu governo possa envidar[3] uma nova era de verdadeira democracia social e econômica.
E não apenas para emprestar o seu apoio e a sua solidariedade a uma democracia meramente política que desconhece a igualdade social.
Percam a ilusão, os que pretendem separar-se ou separá-los de mim. Juntos estamos e juntos estaremos sempre, na alegria e no sofrimento, nos dias de festa como os de hoje e nas horas de dor e sacrifício.
E juntos haveremos de reconstruir um  melhor, onde haja mais segurança econômica, mais justiça social, melhores padrões de vida e um clima novo de segurança e bem estar para esse bom e generoso povo brasileiro.

1 regozijo: Prazer, alegria. Manifestação de contentamento
2 injuntiva: imperativo, obrigatório
3 envidar: Pôr muito empenho em, esforçar-se.


Um presidente preocupado com os trabalhadores e sociedade, com uma notável mudança de visão, uma verdadeira ponte entre Velha e Nova República, ponte que possibilitou várias das leis trabalhistas para que 
hoje, nós, Trabalhadores do  ! consiguamos melhores condições de exercer profissão. Do contrário, buscar meios de lutar pelas mesmas. 
Gaspar Rocha
Fonte:

terça-feira, 29 de maio de 2012

Oligarquias

  • Grupo de algumas pessoas poderosas que dominam uma parte dos interesses de um país.
  • Autoridade, preponderância ou influência de pequeno número de pessoas.
Dessa forma foi um dia a política do !

A constituição de 1891, inclinada liberalista e democrática, na verdade foi o que propiciou o regime político elitista designado “Republica Café-com-Leite”. Nome este devido aos grupos mais ricos dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou seja, as Oligarquias cafeeiras dos mesmos.

Essa escrita Velha Republica tem seus primórdios ligados aos ideais republicanos, ampliados na crise econômica que atinge o Brasil em 1877, e na incapacidade do Império de acompanhar as mudanças ao novo modelo de pilares sociais, incansavelmente reforçando contrariedade a senhores de terras que controlavam suas fazendas e figuras dos novos interesses.


A política do Café-com-Leite baseava-se no revesamento de presidentes, ora mineiros, ora paulistas. Essa alternância de presidentes era possível e ocorria, mesmo numa governo já denominado "democrata" graças às ações dos coroneis, e dos votos de cabresco, já discutidos no post "Coronelismo". A força política dos barões do café se apossou da situação e instaurou a oligarquia
Período que se estende até 1930, em que ocorrem os diversos movimentos populares (no sertão, no sudeste), que lutam contra as condições propiciadas pela politica do   na época. Política essa de descaso às condições de vida e trabalho da população brasileira.
Essa política oligárquica só é "quebrada" com a tomada do poder por Getúlio Vargas, em 1930.




Durante esse período (1894-1930), as oligarquias detinham um poder nacional, limitado pelas fronteiras. Mas nos tempos atuais, onde a política do capital é a que toma as decisões, e o capital é internacional, as oligarquias continuam agindo, com uma máscara diferente, porém, com mesmos resultados.


Gaspar Rocha

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Progresso da Industrialização


Como sabemos, a Expansão Industrial ocorrida no início do século XX deu-se, principalmente, pelo capital do café, onde as atividades industriais eram financiadas pelos cafeicultores e comerciantes e desempenhadas, na grande maioria, por operários imigrantes: italianos, espanhois e portugueses. Esses imigrantes vieram em busca de melhores condições de vida em nosso país, atraídos por propagandas de fazendeiros paulistas à respeito de terras e possibilidade de trabalho na plantação de café. Como já sofriam com o trabalho rural em seus países de origem, chegaram aqui aos milhares em busca de melhorias nas condições de vida.

Pelos maus tratos sofridos na fazenda, esses imigrantes migram para os centros urbanos, para trabalhar em indústrias totalmente insalubres. Entre as péssimas condições tínhamos:

- Jornada de trabalho de 12 a 14 horas/dia
- Trabalho de mulheres e crianças
- Trabalho noturno
- Salários baixíssimos
- Nenhum direito trabalhista ou segurança profissional

Para mudar essa triste realidade, os operários começam a se reunir em prol de melhorias. Criam-se associações e sindicatos, liderados principalmente por anarquistas (pois a maioria dos imigrantes defendiam essa vertente política), onde as principais ideias defendidas eram:

- Livre iniciativa
- Autonomia do indivíduo
- Solidariedade humana
- Direito de livre associação

 A greve realmente estoura no dia 9 de julho de 1917, com a morte do sapateiro José Martinez num conflito entre militantes e policiais. Os operários apedrejam indústrias e fazem um comício com seus empregadores, negociando leis que melhorassem as condições de trabalho. Algumas conquistas foram adquiridas, como:

- Fim do trabalho noturno
- Fim do trabalho de milheres e crianças
- Jornadas de trabalho de 8 horas/dia

Resultado da constituição de organizações operárias de inspiração anarcosindicalista aliada à imprensa libertária, a mobilização operária foi uma das mais abrangentes e longas da história do Brasil. O movimento operário mostrou como suas organizações (Sindicatos e Federações) podiam lutar e defender seus direitos de forma descentralizada e livre, mas de forte impacto na sociedade. Esta greve mostrou não só a capacidade de organização dos trabalhadores, mas também que uma greve geral era possível de acontecer, e capaz de conseguir bons resultados.

Atualmente existem greves por vários sindicatos trabalhistas do país, que lutam por melhorias nas condições de trabalho. A mais atual foi a Greve dos Motoristas de Ônibus ocorrida em várias cidades paulistas, como: Campinas, Ribeirão Preto, Osasco. Vemos que esse aspecto sindicalista permeia os dias atuais, o que considero extremamente importante, pois é só agindo, reivindicando (de forma responsável, organizada) que se consegue mudanças eficazes!


Fique agora com um curto, simples e gostoso vídeo que disserta sobre a Greve Geral de 1917 e mais questões ligadas à indústria e operários:


Larissa de Oliveira*

Anotações das aulas de História com a Profª Jack =)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Coronelismo


No inicio do período republicano no Brasil, vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era controlada e comandada pelos coronéis, como eram chamados os ricos fazendeiros. 

Por todo esse processo, ao longo do tempo, estão envolvidos aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais do Brasil.

O título de coronel sancionava definitivamente o poder dos oligarcas. Com tanto poder, resolveram financiar campanhas políticas de seus afilhados, conquistando a faculdade de acaudilhar a Guarda Nacional e obtendo autoridade para obrigar o povo e os escravos a manter a ordem e a obediência. Com o advento da República, a Guarda Nacional é extinta, contudo os coronéis sustentam o domínio sobre suas terras e os limites de sua influência. O regime representativo é implantado e o direito de voto ampliado, os partidos políticos e as eleições se fortalecem.

O domínio dos coronéis consistia em controlar os seus eleitores, ou seja, os eleitores eram obrigados a votar sempre nos candidatos impostos por eles, este voto era conhecido como "voto de cabresto". A partir disso tinham o poder para controlar regiões onde eram conhecidos como currais eleitorais.

 

Características do Coronelismo

 

  • Voto de Cabresto - os eleitos eram obrigados a votar nos candidatos impostos pelo coronéis. Trocavam objetos materiais por votos e mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos.

  • Fraude eleitoral -  burlavam votos, alterando dados e patrocinando votos fantasmas.

  • Política do café-com-leite - no começo do século XX, os estados de São Paulo ( lucrava muito com a produção e exportação de café) e Minas Gerais ( gerava riqueza com a produção de leite e derivados) eram os mais ricos da nação, e dessa forma os políticos dessas regiões faziam acordos para continuar no poder.

  • Política dos Governadores - os governadores dos estados e o presidente da República faziam acordos políticos, na base da troca de favores, para governarem de forma tranquila. 
A falta de autonomia política integrava processos onde deputados, governadores e presidentes se perpetuavam em seus cargos. Os hábitos políticos dessa época, como a chamada “política dos governadores” e a política do “café-com-leite” (como citado acima) só poderiam ser possíveis por meio da ação coronelista.
 

Declínio do Coronelismo

O declínio do coronelismo deu-se através da chegada de Getúlio Vargas ao poder e de simultâneas transformações no quadro geral da sociedade: 

  • A população rural cresce;

  • As pequenas cidades incham, estradas são abertas e os meios de comunicação em massa surgem;

  • Os eleitores se tornam menos submissos e passam a exigir mais das autoridades na hora de dar o seu voto.


    Relação com a atualidade

    Apesar do "desaparecimento" dos coronéis, podemos dizer que algumas de suas características ainda estão presentes na cultura política do nosso país. Duas delas são:

    • A troca de favores entre chefes de partidos;
    • Compra de votos.

    Lima Barreto disse: "O Brasil não tem povo, tem público", ou seja, tudo é dado ao povo, porém o mesmo não age, continua dependente e continua assistindo.

    Para saber mais, assista ao vídeo:

    Cultura Retrô - Coronelismo - Telecurso - 23/02/2012


     Vitor Machado Vilani

    Fontes:

    Música: Revoltas Sociais

    Uma música interessante, que retrata bem o sentimento à respeito das Revoltas Socias: Canudos e Contestado.

    Quando vejo tanta terra
    espalhada por aí
     eu me pergunto, ai,
    com que direito
    eles querem tirar a gente daqui.
    (...)
    Toda gente tem direito
     de ter terra pra morar,
    porque aquilo
    que é de todos
    é mais que um roubo
    acumular.


    Asa Branca


    Bendito, louvado seja
    (...)
    Para a terra prometida,
    o povo de Deus marchou
    Moisés andava na frente.
    Hoje Moisés é a gente,
    quando enfrenta a repressão.
    (...)
    Caminhemos pela estrada,
    muita cerca pelo chão
    todo arame e porteira
    merecem corte e fogueira,
    são frutos da maldição

    Erick Niedermeyer

    Fontes:
    Violência no Campo o latifundio e a Reforma Agrária – Júlio José Chiavenato (Editora Moderna)

    Uol Educação: 
    1. A República se impõe ao Sertão a ferro e Fogo – Renato Cancian
    2. O conflito alcançou enormes proporções – Vitor Amorin de Angelo

    Vídeo: Guerra de Canudos

    Um vídeo curto e muito interessante sobre Canudos:



    Alberto Tanaka

    Fonte:

    terça-feira, 22 de maio de 2012

    Guerra de Canudos



    A rebelião conhecida como Guerra de Canudos (tida como um dos principais conflitos que marcam o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil) deu-se em virtude da situação precária em que vivia a população, sem terra e obrigada a se submeter as ordens dos coronéis. As terras pertenciam aos grandes proprietários rurais – os conhecidos coronéis – que as transformaram em territórios improdutivos. Essa situação revoltou os sertanejos, que se uniram em torno de  Antônio Conselheiro, o qual pregava ser um emissário de Deus vindo para abolir as desigualdades sociais e as perversidades da República, como a exigência de se pagar impostos, por exemplo.




    Situação do Nordeste no final do século XIX:

    • Fome - estavam sofrendo com baixíssimo rendimento familiar, por isso não havia o quê comer;
    • Seca - não havia chuvas, assim dificultava a agricultura e  matava o gado;
    • Falta de apoio político - os governantes e políticos da região não davam atenção para as populações carentes;
    • Violência - grupos armados que trabalhavam para latifúndios;
    • Desemprego;
    • Fanatismo religioso - a fim de prometer vida melhor.
     
     
      O governo da Bahia, com apoio dos latifundiários, não concordavam com o fato dos habitantes de Canudos não pagarem impostos e viverem sem seguir as leis estabelecidas. Afirmavam também, que Antônio Conselheiro defendia a volta da Monarquia, além do fato já citado de que Conselheiro pregava a abolição das desigualdades sociais e das perversidades da República.


      Os sertanejos e jagunços, ao longo da guerra, se armaram e lutaram contra os militares, assim, das três primeiras tentativas de combater o arraial de Canudos, nenhuma foi bem sucedida. Mas na quarta tentativa, o governo da Bahia solicitou  apoio das tropas federais (com armamento pesado, como metralhadoras e canhões).  Sendo enviados ao sertão baiano, "pisaram" nos habitantes de Canudos de forma injusta.
      A Comunidade de Canudos foi arrasada no dia 05 de outubro de 1897, entrando para a história como o palco do mais intenso massacre já presenciado na história.


      Sebastianismo

      Sebastianismo é um fenômeno secular, que muitas vezes é visto como uma seita ou elemento de crendice popular.
      Chegou ao Brasil no século XIX. Unindo fanatismo religioso com idéias socialistas.
      O movimento político-religioso foi muito forte e com resultados trágicos nos sertões da Bahia, no arraial de Canudos.
      Documentos encontrados no arraial indicam que Conselheiro e seus colaboradores acreditavam no retorno de Dom Sebastião, ou, pelos menos, usavam isso para obter apoio dos seus seguidores. No caso de Canudos, o sebastianismo pregava a volta de Dom Sabastião para restabelecer a monarquia e derrubar a República.


      Vitor Machado Vilani


      Fontes:
      http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=419&Itemid=1





      Contenda de Contestado


      Guerra travada em solo brasileiro, onde o povo, subestimado até certo ponto da guerra, se mostra mais forte que as tropas do exército. Ocorrida no período de 1912 à 1916, tal que um povoado crescendo durante esse período, alcançou uma população de mais de 10.000 pessoas, sob liderança de um líder messiânico, um monge de nome José Maria, indagam por moradia e justiça, direito que foram privados por interesses individuais.
      Localizados entre os estados do Paraná e Santa Catarina, o povoado habitava uma região com uma floresta preciosa e um solo fértil, dedicado a plantação de erva mate. Esses fatores muito chamaram a atenção da Brazil Railway, empresa norte-americana responsável pela construção da ferrovia que liga o estado de São Paulo ao do Rio Grande do Sul, e que passa pela região de "Contestado".
      O governo tinha a pior concepção possível do que aquele movimento representava, e piorou quando tomou caráter religioso sob a liderança de José Maria. Tropas foram enviadas não para conter, mas para aniquilar com aquele movimento. No primeiro combate, as forças do governo foram derrotadas, mas o monge líder José Maria morreu no combate, o que acresceu o sentimento de revolta.
      Até a o final da guerra ocorreram uma serie de épicas batalhas onde Contestado saía vitorioso sobre regimentos treinados do exército. O cerco final, que levou o povoado a derrota, durou, não ao certo, um ano. Batalhas que aconteciam regularmente, onde o governo utilizou de artilharia pesada, como fuzis, metralhadoras, canhões e até mesmo aviões para bombardeio.
      As tropas do governo saíram vitoriosas no final, resultando na morte de milhares de sertanejos do povoado, sendo esta mais uma história do descaso político e social que ocorreu no grande, imponente, e glorioso !


      Bandeira do Contestado (1912* / 1916+).

      Gaspar Rocha
      Fontes:

      Vídeo: Revolta da Vacina

      Para entender melhor a Revolta da Vacina, assista este vídeo! De forma simples, você entenderá melhor as causas e conclusões desta revolta social:


      Larissa de Oliveira*

      Revoltas Urbanas - Revolta da Vacina


      No início da República, as grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo estavam sob graves problemas urbanos, tais como: epidemias, redes insuficientes de água e esgoto, super povoados e mau planejamento das áreas habitáveis.

      Em meio a esse cenário, na capital, o presidente da república Rodrigues Alves convocou o sanitarista Oswaldo Cruz e o prefeito Pereira Passos para execução de um grande projeto sanitarista, tendo como principal objetivo a modernização da cidade e a extinção das epidemias. Prédios, casas e casebres foram derrubados para dar lugar a grandes obras, atos que ficaram conhecidos como "bota-abaixo" e que mais tarde viriam a ocasionar o surgimento das favelas, pois os moradores se estabeleciam irregularmente nos morros uma vez que foram expulsos de suas casas. Foram realizadas campanhas de extermínio aos agentes transmissores da febre amarela, varíola e peste bubônica e implantação da vacinação obrigatória. Em pouco tempo, essas epidemias foram erradicadas da capital. No entanto, foi visível a forma autoritária com que foram impostas esses medidas.

      Exército Mata-mosquitos
      Com o intuito de combater a febre amarela, foi posta em pratica uma nova política sanitária.. O exército de mata-mosquitos adentravam as casas para exterminar os insetos desrespeitando a privacidade das pessoas. Tal medida também foi tomada para combater a peste bubônica, onde os ratos da cidade foram exterminados. Houve relatos de que se ofereciam recompensas para quem entregasse ratos mortos aos agentes sanitaristas.


      A Vacina

      A vacinação obrigatória, fator que deu o nome ao conflito, não foi a única causa da revolta. Ela de fato foi a foi a medida imposta que mais obteve reação popular hostil. As mulheres precisava expor suas partes íntimas para a aplicação da vacina e as pessoas se perguntavam como se podia curar uma doença introduzindoa no corpo. Entretanto, quanto as causas do conflito, não podemos atribuí-la a apenas um fator, mas sim a um conjunto de insatisfações  de uma população que vivia na capital e estava sob um grande caos social onde não participavam ativamente das decisões políticas de uma idealizada "república". Dessa forma, a campanha de vacinação obrigatória foi o epicentro onde se estourou as revoltas e foram colocadas em jogo uma série de descontentamentos.

      "Parece-nos que os motivos da dimensão de profundidade da Revolta da Vacina está exatamente no aspecto que a caracterizava - justificação moral. Os movimentos anteriores foram marcadamente motivados por razões econômicas, isto é, a causa imediata era sempre uma queixa material, a saber, aumento de preços, novos impostos e taxas, serviços públicos de má qualidade, baixos salários."
      "A Revolta da Vacina, em contraste fundamentou-se primariamente em razões ideológicas e morais[...]Mas em 1904 tal justificação estava no centro do protesto. É a nossa tese que foi este guarda-chuva moral que tornou possível a mobilização popular de 1904 nas proporções em que ela se deu."      
      José Murilo de Carvalho

      Em novembro de 1904, a revolta se inicia. As ruas do Rio de Janeiro foram palco para as batalhas de uma guerra civil. A escola militar de Praia Vermelha, inspirados pelo sentimento florianista e o descontentamento de se ter um presidente civil, alia-se aos revoltosos.
      Por fim, as forças do governo conseguiram conter a revolta. Não se sabe o número de mortos. Muitos foram deportados e as medidas sanitárias continuaram em vigor. Dois anos depois as epidemias haviam sido irradicadas da capital.


      Curiosidades

      O atual Morro do Realengo, famoso por ser uma das favelas mais violenteas do Rio de Janeiro, foi onde ocorreram os mais sangrentos combates da Revolta da Vacina. Dessa forma, a partir de uma análise superficial, é possível ver os reflexos de uma revolta após um século de sua ocorrência. A exclusão social e o descaso do Estado com a população, são questões que começaram muito distante no passado mas que continuam sendo muito atuais.

      http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/revolta-da-vacina/revolta-da-vacina-3.php
      CARVALHO, José Murilo de - O Rio de Janeiro e a República que não foi

      sexta-feira, 18 de maio de 2012

      "A Questão Social é Caso de Polícia!"

      Esta marcante frase do ex- presidente Washington Luis (1926-1930), o último da chamada República Velha, retrata o total desinteresse do Governo com os fatos socias da época: miséria sofrida pela maioria da população, as difíceis condições de sobrevivência no Nordeste (sertão) e Sudeste (indústrias), a falta de infraestrutura, de políticas socias de inclusão e de educação. Na visão das autoridades, tudo era resolvido com a violência e repressão de policias sobre a camada de pessoas que se manifestasse, mesmo sendo em prol de melhorias, pois, para eles, o que importava era o poder.

      A República Velha, engloba o período da Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889 a 1930, onde ocorre a tomada do poder por Getúlio Vargas.

      Ela divide-se em dois períodos:

      1º) República da Espada: tem esse nome, pois foi o momento histórico em que o Brasil foi governado por dois militares: Mal. Deodoro da Fonseca e Mal. Floriano Peixoto.

      2º) República das Oligarquias: período que vai da eleição de Prudente de Morais até a Revolução de 1930. Período caracterizado pela supremacia política das oligarquias estaduais (donos de terras principalmente).

      O principal aspecto da Primeira República foi o desprezo das autoridades ante os problemas socioeconômicos da época. Por isso ocorreram diversas Revoltas Sociais, como: a Revolta de Canudos, a Guerra do Contestado, Revolta da Vacina...

      Além disso, o desenvolvimento do Coronelismo, onde os "coronéis" (donos de terras, latifundiários), exerciam o poder sobre tudo e todos, até mesmo sobre o voto da população.

      Assim como o Coronelismo, o Trabalho Operário em indústrias passou-se na época da chamada República do Café-com-Leite, onde presidentes Paulistas e Mineiros alternavam o governo entre si, dentro da República Velha, no 2º período, o da República das Oligarquias.

      Todos esses fatos ocorridos na Primeira República Brasileira serão mais explorados em nosso blog, no decorrer desta semana. Não perca o desenrolar dessas linhas históricas, que unidas formarão um Tecido Histórico, onde poderemos desvendar aspectos do passado que continuam presentes em nosso cotidiano. Não se perca nos emaranhados de linhas, mas costure esse tecido com a gente!

      Larissa de Oliveira*

      Fontes:
      http://www.nucleodenoticias.com.br/2009/02/18/a-questao-social-e-caso-de-policia/
      http://www.infoescola.com/historia/caracteristicas-da-republica-velha/
      http://www.mundovestibular.com.br/articles/4429/1/A-REPUBLICA-VELHA/Paacutegina1.html
      http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/republica-velha/republica-velha-3.php