quarta-feira, 23 de maio de 2012

Coronelismo


No inicio do período republicano no Brasil, vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era controlada e comandada pelos coronéis, como eram chamados os ricos fazendeiros. 

Por todo esse processo, ao longo do tempo, estão envolvidos aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais do Brasil.

O título de coronel sancionava definitivamente o poder dos oligarcas. Com tanto poder, resolveram financiar campanhas políticas de seus afilhados, conquistando a faculdade de acaudilhar a Guarda Nacional e obtendo autoridade para obrigar o povo e os escravos a manter a ordem e a obediência. Com o advento da República, a Guarda Nacional é extinta, contudo os coronéis sustentam o domínio sobre suas terras e os limites de sua influência. O regime representativo é implantado e o direito de voto ampliado, os partidos políticos e as eleições se fortalecem.

O domínio dos coronéis consistia em controlar os seus eleitores, ou seja, os eleitores eram obrigados a votar sempre nos candidatos impostos por eles, este voto era conhecido como "voto de cabresto". A partir disso tinham o poder para controlar regiões onde eram conhecidos como currais eleitorais.

 

Características do Coronelismo

 

  • Voto de Cabresto - os eleitos eram obrigados a votar nos candidatos impostos pelo coronéis. Trocavam objetos materiais por votos e mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos.

  • Fraude eleitoral -  burlavam votos, alterando dados e patrocinando votos fantasmas.

  • Política do café-com-leite - no começo do século XX, os estados de São Paulo ( lucrava muito com a produção e exportação de café) e Minas Gerais ( gerava riqueza com a produção de leite e derivados) eram os mais ricos da nação, e dessa forma os políticos dessas regiões faziam acordos para continuar no poder.

  • Política dos Governadores - os governadores dos estados e o presidente da República faziam acordos políticos, na base da troca de favores, para governarem de forma tranquila. 
A falta de autonomia política integrava processos onde deputados, governadores e presidentes se perpetuavam em seus cargos. Os hábitos políticos dessa época, como a chamada “política dos governadores” e a política do “café-com-leite” (como citado acima) só poderiam ser possíveis por meio da ação coronelista.
 

Declínio do Coronelismo

O declínio do coronelismo deu-se através da chegada de Getúlio Vargas ao poder e de simultâneas transformações no quadro geral da sociedade: 

  • A população rural cresce;

  • As pequenas cidades incham, estradas são abertas e os meios de comunicação em massa surgem;

  • Os eleitores se tornam menos submissos e passam a exigir mais das autoridades na hora de dar o seu voto.


    Relação com a atualidade

    Apesar do "desaparecimento" dos coronéis, podemos dizer que algumas de suas características ainda estão presentes na cultura política do nosso país. Duas delas são:

    • A troca de favores entre chefes de partidos;
    • Compra de votos.

    Lima Barreto disse: "O Brasil não tem povo, tem público", ou seja, tudo é dado ao povo, porém o mesmo não age, continua dependente e continua assistindo.

    Para saber mais, assista ao vídeo:

    Cultura Retrô - Coronelismo - Telecurso - 23/02/2012


     Vitor Machado Vilani

    Fontes:

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